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Os jovens se transformam quando envelhecem


Existem temas que, extensivamente discutidos, ao invés de desenvolverem algo de útil beneficiam mais quem os dissemina. Tem sido assim com as discussões relacionadas a diferenças entre gerações.

Gerações obviamente existem e as pessoas que nascem em uma determinada época são, claro, influenciadas pelos acontecimentos políticos, pelas tecnologias, hábitos, fatos econômicos e outras peculiaridades de seu tempo. Mas a falta compreensão e rigor crítico sobre até onde esses fatores influenciam as pessoas e as tornam diferentes de gerações anteriores, são mal explorados e criam mitos que perduram e influenciam muitas decisões.

Nos últimos 10 anos, convencidas pelos mensageiros, organizações ao redor do mundo investiram muito para receber a geração Y, que em alguns países se tornou predominante no ambiente de trabalho. O fundamento para esse investimento é que os 'millennials' possuíam características muitos distintas das gerações anteriores e, com o natural envelhecimento da população, eles cada vez mais ocupariam as posições da geração X e dos 'baby boomers'. Portanto, as empresas deveriam estar preparadas e adaptar a cultura, os estilos de liderança e toda a estrutura organizacional para recebê-los.

Mas uma premissa foi simplesmente esquecida nessa discussão: que pessoas, incluindo os 'millennials', se transformam quando envelhecem. Pesquisas como a de um grupo de professores da Universidade de Edimburgo ("Personality Stability From Age 14 to Age 77 Year", de Mathew A. Harris, Caroline E. Brett, Wendy Johnson and Ian J. Deary), mostram que indivíduos lentamente mudam seus traços de personalidade ao longo da vida, virando "pessoas diferentes" quando ficam mais velhas.

Muitas comparações disseminadas falaram das diferenças entre gerações em uma mesma época, mas poucas analisaram como eram os comportamentos destas quando estavam em uma mesma faixa de idade. Quando se faz isso, é possível ver muitas semelhanças entre as gerações, o que deveria ser um pouco óbvio. Por exemplo, jovens são jovens (independentemente da época) e, geralmente, tendem a ser bem mais narcisistas que as pessoas com mais idade. À medida que eles envelhecem esse traço diminui. Enquanto vários artigos os categorizavam como colaborativos, muitos outros os chamavam de 'me me me generation' (as milhares de selfies publicadas, no geral, são de jovens e não de pessoas mais velhas). O fato é que evidências mostram que os 'millennials' são tão autocentrados quanto as outras gerações foram nessa mesma faixa de idade.

Eles, por exemplo, gostam de comparar suas performances com a dos colegas e, quando optam por uma empresa, preferem a que oferece mais oportunidades de carreira do que envolvimento com responsabilidade social. Outro exemplo é a fama de mudar de trabalho. Evidências também mostram que eles não são muito diferentes das gerações anteriores na mesma faixa etária, já que estes mudavam tanto quanto ou que os 'millennials'.

Existem ainda os mitos sobre a tecnologia, como o do "nativo digital", que atribui uma capacidade superior para o uso tecnológico para aqueles que cresceram com ela. Um mito já desfeito por diversas pesquisas como a dos brasileiros Marcelo Luis Gabriel, Dirceu da Silva e Sérgio Moretti: "O mito da Geração Y: evidências a partir das relações de causalidade entre idade, difusão e adoção de tecnologia de estudantes universitários do Estado de São Paulo".

Obviamente existem diferenças mas elas são muito mais explicadas por longas tendências sócio-econômicas. Por exemplo, a questão de os jovens morarem com os seus pais está relacionada com o fato de as gerações recentes, em muitos países desenvolvidos, terem rendimentos médios menores que as anteriores. Ou o fato de casamentos estarem acontecendo em idades mais avançadas estar relacionado com a tendência da inclusão das mulheres no ambiente de trabalho, o que acontece desde dos anos 1950. O fato é que muitos 'millennials' estão com mais de 30 anos, eles estão se comportando muito mais como a geração X.

O interessante é que agora a atenção começa a migrar para a geração seguinte. Vai começar tudo de novo com a novíssima "geração Z" (que inclui os nascidos entre 1995 até 2010). Temos fascinação por rótulos que no fim das contas nos limitam.

Em vez de se apropriar desses estereótipos, organizações deveriam transcendê-los e focar na diversidade que existe mesmo em pessoas de uma mesma geração. Aliás, lidamos nas organizações e na sociedade muito mais com problemas relacionados ao quanto as pessoas são diferentes do que associados a diferenças entre gerações ou idade. Rótulos reduzem a percepção desta realidade e não nos permitem amadurecer para lidar com as reais diferenças, e extrair as enormes vantagens que elas podem nos proporcionar.

Claudio Garcia é vice-presidente executivo de estratégia e desenvolvimento corporativo da consultoria LHH, baseado em Nova York Fonte: Valor Econômico


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